Case · Operations & Design Ops

Center of
Excellence

Estruturação de um modelo global de operações para escalar qualidade, eficiência e maturidade em times de Produto & Design — conectando estratégia à execução, eliminando retrabalho e estabelecendo governança em múltiplas regiões.

Design Ops Product Ops Governance Organizational Maturity Global Scale
94%
problemas resolvidos pré-produção
2.7 → 4.1
evolução de maturidade
+60%
redução de retrabalho
00 · Overview

Este case documenta a criação e implementação de um Center of Excellence (CoE) de Produto & Design em uma operação global, que não existia e precisava ser construída do zero — com o desafio adicional de funcionar de forma transversal a múltiplos times, diretorias e regiões.

O CoE foi concebido não como uma estrutura de controle, mas como um núcleo cross tribos, com a função de elevar a qualidade das entregas, estruturar governança, criar modelos replicáveis e conectar decisões de produto e design à estratégia de negócio em escala.

Liderei a concepção e implementação deste projeto, desde o diagnóstico inicial da operação até a construção da arquitetura de governança, criação dos playbooks e sistemas globais de boas práticas. Trabalhei de forma transversal com lideranças de Produto, Design e negócio, sendo responsável por engajar stakeholders, validar o modelo em pilotos e garantir que a escala acontecesse com consistência.

O desafio não era apenas criar processos. Era mudar a forma como times de produto e design operavam — com coordenação cross tribos, sem tirar a autonomia local necessária para cada contexto.
01 · Contexto

Uma operação que crescia rápido demais para os próprios padrões

A empresa operava com diversos times de Produto e Design distribuídos por diferentes frentes de atuação, cada qual com seus próprios ritmos, critérios e formas de trabalho. O crescimento acelerado havia criado uma operação fragmentada: boas práticas existiam em silos, decisões eram tomadas de forma desconectada e a ausência de padrões tornava difícil escalar aprendizados e qualidade.

Não havia uma estrutura centralizada responsável por governança de produto e design, por definir o que "bom" significava para a companhia ou por garantir consistência nas entregas entre diferentes squads e regiões. A maturidade operacional era baixa e variável — o que funcionava bem em um time raramente se replicava para outros.

Era um momento de necessidade de escala: a empresa precisava sair de um modelo de crescimento acelerado e descentralizado para uma operação mais previsível, consistente e orientada a qualidade.

02 · Problema

Cinco lacunas que impediam a operação de escalar com qualidade

O diagnóstico inicial revelou problemas que impediam a operação de escalar com qualidade:

03 · Estratégia

Um núcleo OPS, não uma estrutura de controle

A decisão estratégica foi criar um Center of Excellence com atuação cross tribos — não como estrutura de controle, mas como um núcleo OPS que habilitasse os times a operarem melhor. O CoE foi desenhado para ter três funções simultâneas: elevar maturidade, garantir consistência e escalar excelência.

A arquitetura do CoE foi construída sobre três pilares interdependentes, cada um com foco, responsável e indicadores próprios:

Pilar 01

Qualidade
Padrões de qualidade de competências cross — Content, Ilustração, Design System, Product Ops — com ferramentas que direcionavam a aplicação.

Pilar 02

Process
Rituais, fluxos e playbooks padronizados para garantir previsibilidade operacional sem engessar a execução local.

Pilar 03

Performance
Medição contínua de maturidade, qualidade e eficiência para orientar evolução e tornar melhorias visíveis e rastreáveis.

Esse modelo foi pensado para ter impacto duplo e simultâneo: na experiência do consumidor (consistência, qualidade e coerência entre produtos) e nos times (clareza operacional, eficiência e maturidade).

Ecossistema do COE — impacto na experiência e nos times
Ecossistema operacional do CoE — impacto na experiência e nos times.
04 · Solução

Um ecossistema com seis frentes de atuação

O CoE foi estruturado como um ecossistema operacional com seis frentes de atuação, cada uma endereçando uma das tensões identificadas no diagnóstico:

O ecossistema do CoE integrou ainda cinco áreas especializadas com papéis complementares:

Program & Portfolio
Gestão da carteira de iniciativas e priorização estratégica com visibilidade global.
Consumer Centricity
Centralização e ativação dos dados captados dos consumidores para orientar decisões de produto.
Maturity & Ops
Diagnóstico, acompanhamento e evolução da maturidade operacional dos times.
Service Design Cross
Visão sistêmica de jornada de temas estratégicos, transversal entre produtos e canais.
Content Experience
Qualidade e consistência de conteúdo como parte da experiência — tom, hierarquia e clareza.
Pilares, focos, direcionadores e KPIs do COE
KPIs por pilar do CoE.
05 · Princípios operacionais

Quatro princípios que orientaram o modelo e a execução

👥
People First Mindset
A operação existe para que as pessoas trabalhem melhor — não o contrário. Foco em colaboração, autonomia e ownership real, sem burocracia desnecessária.
🎯
Excellence by Design
Qualidade não como auditoria, mas como padrão incorporado ao fluxo de trabalho. Governança global com flexibilidade local e padrões replicáveis entre regiões.
📊
Data-Driven Decisions
Priorização e acompanhamento orientados por indicadores — maturidade, eficiência, qualidade e performance — para tornar melhorias visíveis e rastreáveis.
⚡
Fail Fast, Learn Faster
Pilotos com ciclos curtos de feedback antes da escala. Aprendizado rápido como mecanismo de redução de risco e aumento de confiança no modelo.

5.1 · Como foi executado

A implementação seguiu uma abordagem faseada, priorizando diagnóstico e construção de confiança antes da escala. Cada etapa tinha entregáveis claros e ciclos de validação com os times envolvidos:

1
Diagnóstico por times
Mapeamento das lacunas operacionais, nível de maturidade atual e pontos de maior tensão em cada contexto.
2
Arquitetura de governança
Definição dos pilares, papéis, instâncias de decisão e fluxos de escalonamento — com validação com lideranças-chave.
3
Construção de rituais e playbooks
Criação dos primeiros materiais operacionais do CoE — guias de processo, templates de documentação e cadência de alinhamento.
4
Pilotos com times prioritários
Aplicação do modelo em contextos controlados, com acompanhamento próximo e coleta de feedback estruturado.
5
Refinamento e adaptação
Ajustes no modelo com base nos aprendizados dos pilotos, garantindo que o que fosse escalado já estivesse validado na prática.
6
Escala gradual para operação global
Expansão do modelo para outras regiões e squads, com suporte ativo da estrutura central do CoE.
7
Medição contínua
Implementação do framework de maturidade e eficiência para acompanhar evolução e orientar próximas iterações.
06 · Impacto

Três dimensões de impacto, uma operação transformada

People
Maior clareza de papéis e accountability, com liderança distribuída e redução de conflitos de prioridade.
Process
Operação mais previsível e padronizada, com rituais e fluxos consistentes entre times e áreas.
Performance
Evolução contínua e mensurável de maturidade, com indicadores rastreáveis por pilar e por time.
2.7 → 4.1
crescimento no score de maturidade organizacional dos times de Produto
94%
das inconsistências passaram a ser identificadas e resolvidas antes de chegarem à produção
+60%
de redução no volume de retrabalho operacional

Benefícios secundários:

07 · Aprendizados

O que um CoE global ensina sobre estruturas de excelência

A implementação de um CoE em contexto global gerou aprendizados que vão além da operação em si, e que moldaram a forma como estruturas de excelência devem ser desenhadas:

01
Governança sem confiança não funciona
Antes de implementar processos, foi necessário construir relações de confiança com os times. A adesão veio da credibilidade, não da hierarquia.
02
Padronização não é uniformidade
O modelo precisou ser suficientemente estruturado para garantir consistência, mas flexível o suficiente para respeitar contextos locais. A chave foi definir o que não pode variar.
03
Maturidade se mede, não se assume
Criar um framework de medição foi fundamental para tornar a evolução visível — tanto para os times quanto para a liderança. O que não é medido não é gerenciado.
04
Pilotos antes de escala, sempre
Testar em contextos controlados antes de escalar reduziu riscos, gerou evidências e aumentou a confiança no modelo — especialmente em ambientes com alta resistência a mudança.
08 · Síntese estratégica

O CoE como infraestrutura estratégica de Produto & Design

Este case materializa o que acontece quando estratégia, operação e liderança se integram de forma intencional. O Center of Excellence não foi criado para controlar os times — foi criado para habilitá-los a operar com mais qualidade, clareza e consistência, independentemente de onde estivessem.

O resultado foi mais do que métricas: foi a construção de uma cultura operacional — onde boas práticas se replicam, onde qualidade tem critério e onde maturidade é rastreável. Uma estrutura que transformou fragmentação em coerência e ambiguidade em governança.

Ao final, o CoE se tornou referência interna e influenciou a criação de outras estruturas na companhia — consolidando Produto & Design como drivers estratégicos com capacidade real de escala global.

Estratégia conectada à execução · Escala global